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EXERCÍCIO e as Doenças Cardiovasculares  
 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças cardíacas são actualmente a principal causa de morte em todo o mundo e Portugal não é excepção. Os números actuais indicam que a incidência destas doenças vai continuar a aumentar, pelo menos até 2030.  

Mas, sabia que quase todos os doentes com patologias cardíacas podem (e devem) fazer actividade física?!

Pois é!!! Já lá vai o tempo em que se considerava que um indivíduo com histórico de enfarte de miocárdio (ataque cardíaco) não deveria praticar uma actividade física ou fazer qualquer tipo de esforço físico, nem mesmo, em alguns casos, retomar a sua actividade laboral.

Este facto resultava frequentemente no aumento do sedentarismo e agravamento dos factores de risco de doença cardiovascular, como a hipertensão, a diabetes mellitus tipo 2, o colesterol elevado (principalmente o “mau” colesterol), o stress, e a obesidade e o excesso de peso. 

Neste contexto, doentes cardíacos podem usufruir muito de um estilo de vida activo, com resultados em diversos pontos, como:
• Redução da progressão da doença ou mesmo a sua regressão;
• Aumento da quantidade de sangue que chega ao coração;
• Maior capacidade funcional (capacidade de efectuar as actividades do dia-a-dia com menor esforço);
• Adaptação para o retorno à sua vida activa, tanto ao nível laboral como sexual;
• Diminuição dos sintomas de depressão encontrados comummente neste tipo de patologia.

Estudos comprovam que a actividade física e a participação em programas de reabilitação cardíaca resulta numa redução de 20-25% o risco de mortalidade com doença das artérias coronárias tendo igualmente um efeito protector na ocorrência de eventos como o enfarte agudo do miocárdio, independentemente da presença de outros factores de risco como a angina de peito, hipertensão arterial, dislipidémia, diabetes e razão entre o perímetro da cintura e o perímetro da anca.

Estes e muitos outros factores que, conjuntamente, vão aumentar a qualidade de vida. Outras melhorias como a redução da pressão arterial, do colesterol LDL, do peso e dos níveis de glicémia (açúcar) no sangue também são visíveis e fundamentais na prevenção de um evento cardiovascular.

É amplo o leque de actividades físicas que um indivíduo com uma patologia cardiovascular pode desempenhar, praticamente todas as modalidades que as pessoas aparentemente saudáveis realizam podem ser praticadas por este tipo de população numa situação estável. O principal desafio é perceber qual a intensidade do esforço adequada para cada caso e a sua progressão.

Porém, o tipo de exercício deverá ser ajustado dependendo do tempo decorrido após um evento cardíaco, ou seja, em que fase do processo de reabilitação se encontra, da gravidade da doença, da idade, da presença de outras patologias, entre outros aspectos.

Após as primeiras fases do processo de reabilitação e quando o sujeito já pode retomar a sua vida normal, as actividades físicas pelas quais pode optar podem passar por:
• Modalidades desportivas, com as devidas adaptações;
• Caminhada ou jogging;
• Desportos ao ar livre, mas tendo sempre em atenção a temperatura ambiente, que deverá ser amena;
• Actividades em Health Clubs como aulas de grupo ou na sala de cardiofitness e musculação; entre outras.

Contudo, é impreterível uma autorização médica por parte do cardiologista para o início das mesmas, pois cada caso é um caso. Para além do mais é indispensável a monitorização dos sinais vitais como a frequência cardíaca e a pressão arterial, para que a prática seja segura prevenindo o surgimento de complicações.

Tendo em consideração estes factores, verifica-se a necessidade de cada indivíduo ser monitorizado e supervisionado por Especialistas em Exercício e Saúde ou outros profissionais da área da saúde.

Em suma, para prevenir o aparecimento ou progressão de um evento cardíaco o exercício e a actividade física são fulcrais. Essa mudança do estilo de vida deverá ser, igualmente, acompanhada por uma alimentação mais saudável, pelo controlo do peso e também pela cessação o hábito tabágico. Assim, não espere que as doenças cardiovasculares o ataquem, aproveite o exercício físico para as prevenir antes de ser necessário combatê-las!

 
 
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