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REABILITAÇÃO Cardíaca  
 

O que é a Reabilitação Cardíaca?


É um conjunto de procedimentos através do qual uma pessoa com doença cardiovascular consegue voltar a atingir e manter os níveis desejados de condição física, social, vocacional, psicológica e emocional. Nesse seguimento, implica o envolvimento de profissionais de diversas áreas, nomeadamente médicos, fisiologistas do exercício, psicólogos e nutricionistas. Implícita a esta definição está a prevenção secundária, que é uma parte essencial dos cuidados a ter com doentes cardiovasculares, devendo incluir estratégias multidimensionais de forma a reduzir os factores de risco cardiovasculares modificáveis.


Segundo a AACVPR (2004) a gestão dos factores de risco, para além de atrasar ou mesmo regredir a progressão da aterosclerose, beneficia os pacientes nos seguintes pontos: promove a estabilização da placa aterosclerótica prevenindo a sua ruptura, reduz o risco em re-enfarte, diminui a necessidade de procedimentos como a colocação de bypass e angioplastia, reduz as hospitalizações por doenças coronárias, melhora a qualidade de vida e reduz o risco de mortalidade.

 

 

A quem se destinam estes programas?


Os candidatos à reabilitação cardíaca historicamente são pacientes que recentemente tiveram um enfarte do miocárdio ou efectuaram uma cirurgia para a colocação de um bypass, no entanto as candidaturas têm vindo a incluir pacientes que se submeteram angioplastia, a transplante de coração, que têm insuficiência cardíaca crónica estável, arteriopatia periférica com claudicação intermitente, doença cardíaca valvular ou outras formas de doença cardiovascular.


A ideia de que, após um enfarte (ou outro evento), se deve ficar em casa e realizar o mínimo esforço possível é, como documentámos acima, totalmente errada! Consulte o seu cardiologista (ou peça uma segunda opinião junto de outro especialistas) e deixe-o decidir por si.

 

Segundo o ACSM (2005) as indicações para a integração de indivíduos em programas de reabilitação cardíaca são:

  • Pós-enfarte do miocárdio medicamente estável;
  • Angina estável;
  • Cirurgia para colocação de by-pass;
  • Angioplastia ou outros cateterismos;
  • Insuficiência cardíaca congestiva compensada;
  • Cardiomiopatia;
  • Transplante do coração ou de outro órgão;
  • Outros procedimentos cirúrgicos cardíacos incluindo valvulares e inserção de pacemaker;
  • Doença vascular periférica;
  • Doença cardiovascular de elevado risco não candidata a intervenção cirúrgica;
  • Síndrome de morte súbita de origem cardíaca;
  • Doença renal terminal;
  • Com risco de doenças cardiovascular com diagnóstico de diabetes mellitus, displipidémia, hipertensão, etc;
  • Outros pacientes que podem beneficiar de exercício estruturado e/ou de um programa educativo (baseado em referência médica e consenso da equipa de reabilitação).

Contudo, existem contra-indicações para a prática de exercício (ACSM, 2005):

  • Angina instável;
  • Pressão arterial sistólica de repouso >200 mmHg ou pressão arterial diastólica de repouso >110 mmHg, resultados avaliados caso-a-caso;
  • Descida da pressão arterial ortostática de >20 mmHg com sintomas;
  • Estenose aórtica critica (pico do gradiente de pressão arterial sistólica de >50 mmHg com a área do orifício da válvula aórtica <0.75 cm3 num adulto de tamanho médio);
  • Doença aguda sistémica ou febre;
  • Disrritmia atrial ou ventricular não controlada;
  • Taquicardia sinusal não controlada (>120 bpm);
  • Insuficiência cardíaca congestiva não compensada;
  • Pericardite ou miocardite activa;
  • Embolismo recente;
  • Tromboflebite;
  • Depressão do segmento ST em repouso (>2 mm);
  • Diabetes não controlada (glicemia >300 mg/dl) ou >250 mg/dl com cetose;
  • Condições ortopédicas severas que proíbem o exercício;
  • Outras condições metabólicas como tiroidite aguda, hipocalémia ou hipercalémia, hipovolémia, etc.

 

 

A Reabilitação Cardíaca pode ser realizada individualmente?

 

Sim, o Treino Personalizado realizado por profissionais especializados na área de Reabilitação Cardíaca é totalmente controlado e garante os mesmos benefícios. Fale connosco para o podermos orientar. Pretendemos apenas que todas as pessoas que se enquadram como candidatos a este tipo de programas tomem a iniciativa de começar a mexer-se! Não fique parado à espera que algo lhe aconteça...

 

 

Breve história da Reabilitação Cardíaca


Segundo a AACVPR (2004), a reabilitação cardíaca surgiu na década de 50 e focava-se sobretudo na recuperação da capacidade funcional, consistindo maioritariamente na realização de serviços de exercício a pacientes cardíacos pós-fase aguda.


Nos anos 60, os programas de reabilitação cardíaca de pacientes internos começaram a introduzir exercícios passivos de mobilidade articular a pacientes confinados à sua cama e dias depois a marcha dentro dos seus quartos.


Em meados de 1970, foram iniciados os serviços a pacientes externos cujos eventos tinham ocorrido 8 a 12 semanas antes.


Os programas de manutenção tornaram-se mais prevalentes nos anos 80, como resposta ao aumento de volume de pacientes externos e ao seu desejo de se manter num ambiente de exercício familiar e seguro.


No século XXI, programas de reabilitação cardíaca tornaram-se sinónimo de saúde e bem-estar em pessoas com doença das artérias coronárias, tendo sido criados com o objectivo de diminuir a morbilidade e mortalidade e melhorar vários factores clínicos e comportamentais, incluindo a qualidade de vida (AACVPR, 2004).


Durante todos esses anos a evolução foi notável no que respeita ao conhecimento da patofisiologia, epidemiologia e intervenções ao nível da doença das artérias coronárias, inúmeros estudos sustentaram a mesma ideia de que esta patologia continua a ser uma epidemia civilizacional, resultando em enormes encargos a nível social, médico e económico, tendo por isso mesmo a reabilitação de doentes cardíacos conquistado o direito de ser reconhecida como terapia (AACVPR, 2004).

 

Situação portuguesa: Epidemiologia e Reabilitação Cardíaca


Em Portugal, tal como no mundo, a principal causa de morte são as doenças circulatórias. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, do total de óbitos (102.371) ocorridos em 2004 em todo o território português, 36.3% deveram-se a doenças do aparelho circulatório, sendo a segunda causa de morte as neoplasias (22.3%).


No entanto, apesar dos números, em 1999 apenas existiam sete centros de reabilitação cardíaca, circunscritos somente às áreas de Lisboa (4) e Porto (3), tendo o primeiro centro de reabilitação cardíaca surgido em 1982.


Em conjunto, os programas admitiram ao longo do seu funcionamento um total de 1516 doentes. No ano de 1998 iniciaram a actividade nestes centros de reabilitação 126 indivíduos, contudo, e segundo o Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, nesse mesmo ano ocorreram 17 376 altas dos hospitais públicos de pacientes com enfarte agudo do miocárdio (7501), angina instável (4215), após revascularização cirúrgica (2263) ou angioplastia (3397), o que significa que no total do pais foram admitidos em programas de reabilitação 0.7% dos possíveis candidatos a programas clássicos de reabilitação cardíaca. Assim, verifica-se que só uma minoria de possíveis pacientes é integrada em programas de reabilitação cardíaca.


Estavam ainda previstos para 2004 a abertura de mais seis centros, ficando distribuídos estes treze centros na zona de Lisboa (7) e na zona do Porto (6).


Actualmente, apenas 1,8% dos potenciais candidatos são incluídos nos programas de Reabilitação Cardíaca (Ruivo, 2008).

 

 

Componentes de um programa


Segundo a American Heart Association (2000; 2005) e a American Association of Cardiopulmonary rehabilitation (2000) os componentes de um programa são:

  • Avaliação inicial do paciente;
  • Aconselhamento nutricional;
  • Gestão agressiva dos factores de risco através do controlo da hipertensão, hiperlipidémia, excesso de peso e obesidade, diabetes e do hábito tabágico;
  • Aconselhamento psicossocial e vocacional;
  • Aconselhamento para a actividade física e exercício;
  • Adicionalmente deve existir um uso apropriado de medicação cardioprotectora cuja eficácia é evidente na prevenção secundária.

Em reabilitação cardíaca podem distinguir-se quatro fases distintas. A fase I corresponde à fase intra-hospitalar e tem uma duração de cerca de 2 semanas, dependendo da duração do internamento. Nesta fase o indivíduo começa a desenvolver de forma progressiva actividades da vida diária como tomar duche, andar no quarto, alguns exercício para o trem superior, exercícios calisténicos para membros inferiores, subir alguns degraus de escadas, entre outras, iniciando igualmente o processo de educação, nomeadamente no que diz respeito à cessação do hábito tabágico e à compreensão do evento ocorrido e do seu processo de recuperação.


A fase II é a fase de transição, imediatamente após a saída do hospital, que decorre aproximadamente entre as 2 e as 6 semanas. Nesta fase o paciente inicia a realização de actividades da vida diária que anteriormente não executava, incluindo exercícios de força, resistência e de amplitude articular, contento também uma componente educativa.
As fases III e IV, recentemente agregadas numa só (fase III), correspondem à fase mais activa e de manutenção da reabilitação cardíaca da reabilitação cardíaca, que se prolonga por um período indefinido (toda a vida). 

 

 

Onde posso encontrar um programa de Reabilitação Cardíaca em Lisboa?


Faculdade de Motricidade Humana

  • Localização: Cruz Quebrada (Algés)
  • Horário: 2ª 4ª e 6ª das 18h30 às 20h00.
  • Tel: 21 414 91 59
  • Fax: 21 414 91 93

Clínica das Conchas

  • Localização: Lumiar (junto à Quinta das Conchas)
  • Horários: 2ª e 5ª das 11h às 12h / 3ª e 5ª das 15h às 16h / Flexível
  • E-Mail: a_saude_em_alta@clinicadasconchas.pt
  • Tel: 21 750 70 00

Ginásio Club Português

  • Localização: Rato
  • Horário: n/a
  • E-Mail: info@gcp.pt
  • Tel: 21 384 15 80
  • Fax: 21 384 15 89

Hospital da Luz

  • Localização: Benfica
  • Horário: n/a
  • Tel: 21 710 44 00

 

Se ficou com alguma dúvida, não hesite em contactar-nos para o podermos esclarecer.

 
 
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